terça-feira, 30 de outubro de 2007

Faltou um.

De: guifraga
Data: 26 de abril de 2006 10h31min35s GMT-03:00
Para: Cristiana Guerra
Assunto: saúde minha

amor fiz uma lista dos médicos que preciso consultar (coisinhas deixadas pra
trás)...

Otorrino (minha sinusite)

Dermatologista (unhas, pele)

Nutricionista (reprogramacão alimentar)

Clínico Geral (generalidades, rs)

Ortopedista ( Joelho e calcanhar)

Uf, pelo menos meu coração é bom, forte e gordo de amor.

um beijo bem saudável, G

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Universo ao meu redor.



E por falar nesse disco da Marisa Monte, ele foi comprado em junho de 2006, pouquinho antes de você resolver aparecer nas nossas vidas. Eu estava bem triste por ter me separado do seu pai e aquele disco me trouxe uma certa alegria. O término durou quase dois meses, mas na prática não ficamos separados por mais de 15 dias. Ele não admitia voltar, mas não saía de perto de mim. Passaram-se mais alguns dias e estávamos juntos de novo. Até que isso acontecesse, eu dançava sozinha na sala cantando “Eu só não te convido pra dançar porque o assunto que eu quero contigo é em particular”. Foi um disco importante para exercitar o “estar só”. Que bom que pude dançar essa música em companhia do seu pai. Hoje, ao me ver dançando com você ao som das mesmas canções, pensei no quanto elas me lembram aquela falta - aquela, que era temporária. Primeiro, eu sentia a falta dele. Depois, nós dois juntos sonhávamos com a sua presença. Agora, que você está comigo, sinto a falta dele de novo - mas agora não há o que esperar. Fico a me perguntar onde será que está registrada essa lei que dizia que a nossa família nunca poderia se reunir de verdade. Tenho que confessar que nem sempre é sincero quando canto "e eu já não me sinto só, com o universo ao meu redor". Usando palavras do próprio disco, "procuro explicar o meu sentimento e só consigo encontrar palavras que não existem no dicionário". Espero que você me perdoe, filho, mas tem dias que a gente não aceita bem as coisas.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Como música.

Não existe despertador melhor do que ouvir sua vozinha de manhã. É um estímulo e tanto para sair da cama. Você brinca, canta para si mesmo, experimenta a voz e os sons que é capaz de produzir. E quando me vê, depois de um sorriso, entoa uma notinha, insinuando que quer dançar. Isso se tornou um hábito em nossas manhãs. Aperto você bem junto a mim, você mantém seu ouvido no meu coração e juntos dançamos pela sala. Seu disco preferido é Universo Particular, da Marisa Monte, cujo tom é bem confortável pra mim. Mas também já ouvimos Beatles, Dinah Washington, Rita Lee, João Gilberto. Ouvindo os meus agudos, você se contagia e começa a cantar também. Nesses momentos, como na gravidez, somos um só. Acho que você vai ser o maior pé-de-valsa, que nem o seu pai. Espero que eu consiga ensinar alguns passos, mesmo que ultimamente eu ande perdendo os meus. Sensibilidade, você já parece ter. Seu pai tocou vários instrumentos e é uma pena que eu nunca o tenha ouvido tocar nenhum. Era um dos planos dele voltar a ter um piano. Quanto a mim, já fiz aula de canto e amo música. Ouvimos muita coisa boa enquanto esperávamos você chegar. Cantamos e dançamos muito juntos. Sempre, desde o começo. É maravilhoso ver você sorrindo, cantando, sentindo. Alegre, bem-humorado, de bem com a vida. Filho, eu estou completamente apaixonada por você.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Será que ele também é piauiense?



Filho, esse cara é muito parecido com seu pai. Quero conhecer pessoalmente.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Eu e seu pai.


Ele me mandava imagens lindas, filho. Algumas feitas por ele, outras que ele achava na internet. Seu pai tinha um jeito surpreendente de dizer o que sentia. Quando seus olhos tocavam algumas coisas, revelavam ouro. Uma sorte ter convivido com ele.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Nem todo o tempo do mundo.

Nove meses, filho. Em nove meses a gente faz outra vida, mas não resolve a morte.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Poderia ter saído na Quem Acontece.



Olha, filho. Eu e você flagrados por um paparazzi num momento de intimidade.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Meu 007.

Eu queria ver Volver, ele queria ver Cassino Royale. Graças a Deus, escolhi a opção dele. Foi o último filme que vimos juntos no cinema e o meu primeiro e único 007. Mérito também de um amigo meu, que escreveu sobre o filme e me fez entender que eu estaria diante de uma espécie de primeiro filme da série. Acho que foi no domingo, 14 de janeiro. Antes de entrar, ele riu de mim. Fomos comprar a tradicional pipoca e a mulher perguntou: “Uma coca de 750ml ou duas de 500?” Prontamente eu respondi “duas de quinhentos”, com um risinho escondido no canto da boca. Piadinha particular do casal, que sempre protagonizava uma cena divertida: uma Coca Cola só e quando eu finalmente ia beber ele já tinha sorvido 80% dela, o que me causava sempre uma irritação. No fim do filme, eu tinha sofrido e estava apaixonada. “Eu quero esse homem pra mim”, disse brincando depois de um suspiro. “Vai ter que se contentar comigo”, ele respondeu. Mal sabia seu pai que ele era o James Bond dos meus sonhos. Aliás, sabia sim: fez isso de puro charme. No estacionamento, como de costume, dei uma discreta beliscadinha em sua bunda. Como de costume, ele riu satisfeito. A saudade que eu sinto, filho, é dele inteiro. Bom, ainda posso tentar alguma coisa com o Daniel Craig.

Para o seu mundo ser melhor, Francisco.

Atitudes para combater o aquecimento global


O aquecimento global ou o aumento da temperatura em todo o planeta deve-se ao acúmulo na atmosfera de gases propícios do Efeito Estufa, tais como o Dióxido de Carbono, o Metano, o Óxido de Azoto e os CFCs. Vamos ficar parados e ser cozidos em "banho-maria" ou vamos tomar uma atitude e tentar frear a calamidade anunciada? Na seqüência, pequenas mudanças que você pode ajudar a promover que ajudarão muito.


  1. Troca de lâmpadas
    Se você trocar as lâmpadas convencionais por fluorescentes compactas estará deixando de gerar no mínimo 400 quilos de dióxido de carbono ao ano.
  2. Deixar o carro na garagem
    Caminhe, dê umas pedaladas, compartilhe o carro com o vizinho, ou vá trabalhar de "busão" de vez em quando. Cada 10 quilômetros é igual a menos 3 quilos de dióxido de carbono.
  3. Reciclagem
    Acredite ou não, se você reciclar apenas a metade do seu lixo estará deixando de emitir em torno de 1.000 quilos de dióxido de carbono anuais. Sua cidade não tem coleta seletiva de lixo? Tudo bem, promova a idéia entre os vizinhos da sua rua.
  4. Pressão dos pneus
    Manter a pressão dos pneus no valor correto ajuda a melhorar o rendimento do combustível do seu automóvel. Se não sabe a calibragem correta, olhe na parte interna da tampa de combustível, geralmente esta informação está ali. Cada litro de gasolina libera 2,5 Kg de dióxido de carbono.
  5. Água quente
    Aquecer água consome muita energia. Instale um chuveiro de baixa pressão e no verão tome banho frio ou chaveie a ducha para a posição adequada, menos 3 toneladas de dióxido de carbonoanuais.
    Em algumas lavanderias como as de hospitais é necessária a lavagem de roupas em água quente para uma correta assepsia, fora isso não há necessidade nenhuma e ainda gera mais 225 quilos de dióxido de carbono ao ano.
  6. Sacolas plásticas e embalagens
    Pare de brigar com a caixa do supermercado porque ela colocou toda a sua compra numa sacolinha só e evite produtos com embalagens plásticas. Se reduzir em 10% este tipo de lixo, diminuirá 545 quilos de dióxido de carbono ao ano.
  7. Ar Condicionado
    Com um simples ajuste de baixar a temperatura em 2 graus no inverno e subir 2 graus no verão você pode poupar uns 900 quilos de dióxido de carbono anuais.
  8. Árvores
    Uma só árvore absorve uma tonelada de dióxido de carbono ao longo de sua vida. Conserve-as, plante uma, duas, várias...
  9. Comprar a briga
    Converta-se em parte da solução. Difunda esta mensagem. Diga a seus amigos que vejam o trailer de "Uma verdade incômoda" para ver se todos tomamos consciência do problema. Comece a ser parte atuante na resolução do problema.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Eu, rio de mim.

Você vai aprender, filho. Que na vida a gente às vezes pensa coisas horríveis. Eu, por exemplo, quando só pensava em engravidar de novo depois de dois abortos, olhava uma grávida na rua e dizia "Por que ela pode e eu não?" Anos depois, quem diria, eu passearia pelas ruas empinando a barriga, com você embrulhadinho lá dentro. Então perdi seu pai. Como, se você ainda nem tinha nascido? E ao olhar uma gestante passei então a pensar: "Garanto que ela deve ter marido". O ser humano é muito engraçado. Vê antes a falta do que a presença. Ainda bem que eu sei rir de mim. Ainda bem que você ri pra mim.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

You are mine at last.


Seu pai vivia me dizendo coisas com músicas. Um jeito charmoso de dizer tudo sem se comprometer. (Seu pai era charmoso demais.)

Uma das primeiras que ele me mandou foi a que dançamos hoje de manhã, na voz da Dinah Washington. Para a paixão que a gente sentia, fazia todo o sentido.
Durante a gravidez, como em todo o namoro, eu e seu pai dançávamos muito. Passos cadenciados, sim, mas ele não perdia a capacidade de me surpreender. Durante a gravidez, como em todo o namoro, ele me conquistava. Aos poucos desenvolvi minha habilidade para acompanhar aqueles passos. Acho até que fiquei boa nisso.

Pensando bem, tem fundamento você gostar tanto de música, gostar de dançar e cantar comigo.

Éramos nós três, filho. Família reunida dançando no meio da sala.


sábado, 6 de outubro de 2007

All my loving.



Hoje seu pai faria 39 anos. Se estivesse aqui, eu daria um jeito de acordar mais cedo que ele, pegaria você no colo e iríamos os dois acordá-lo com beijos, babas e um presente escolhido com muito carinho. Ou talvez isso se tornasse um hábito diário, e não privilégio dos aniversários. Como ele não está mais aqui, deixo de presente a alegria de saber que há uma semana você começou a se arrastar e logo vai estar engatinhando. Pensando nele, acabamos de dançar de rostinho colado, eu e você, como fazemos quase todas as manhãs. Dessa vez a música era "All my loving", dos Beatles, na voz da Rita Lee. "Remember I'll always be true." Como sempre, em alguns momentos você cantarolou - no tom. Assim multiplicamos o amor que sentimos um pelo outro e mandamos para seu pai a energia de amor mais forte do mundo. And all our loving we'll send to you. Meu amorzinho. Meu pequeno grande amor.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Fica a pergunta.

Se eu já perdi tanta gente na vida, por que não perco a barriga também?

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Quase nada.

Hoje fui fazer um exame na mesma clínica onde fazíamos as ultrassonografias durante a gravidez. Parei o carro no mesmo lugar de sempre e, no caminho a pé até o local do exame, me lembrei de como eu e seu pai disfarçávamos a ansiedade antes de cada ultrassom. O primeiro deles foi o mais difícil. Insegura devido a dois abortos que tive no meu outro casamento e depois de ter tido um sangramento, eu tentava preparar seu pai para o pior. Nem deixei que ele curtisse inteira a delícia de saber que ia ser pai, tamanho era o meu medo de que ele sofresse uma decepção. Esperamos bastante até ser atendidos, mas na hora H vimos uma coisinha de sete milímetros cujo coração batendo se fazia ouvir em alto e bom som. Era você. Eu me lembro que seu pai segurava nos meus pés descalços e apertava meus dedos, enquanto eu chorava por finalmente ter “chegado lá”. Um outro coração batendo dentro de mim, isso era milagre. Ele chorou também, eu sei. E saímos do consultório como dois adolescentes. Nos abraçamos na porta e choramos mais, misturando soluços e risadas. No caminho de volta para o carro, um desses momentos em que a gente sabe direitinho o que é felicidade: aquele espaço rápido entre uma ansiedade e outra, entre um problema e outro, em que tudo parece perfeito. E é.