quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Pode acreditar.
Com a ida do seu pai, fui obrigada a sonhar de novo todas as cenas que eu tinha imaginado pra nós três. A história continuava, mas agora tinha um personagem a menos – o que é bem difícil quando se trata de um dos principais. Com o coração doendo, mas também com algum humor, refiz o enredo e me preparei para momentos diferentes, mesmo que não menos importantes ou felizes. Embora eu saiba que, mesmo assim, a vida não vai perder a capacidade de me surpreender – para melhor, eu espero. Uma coisa que me preocupou de imediato foi como ensinar pra você o que é um pai. Por isso enchi seu quarto de fotos minhas com seu pai, fotos nossas de quando éramos pequenos, eu grávida, tentando fazer ali um cantinho que conta a história da sua vinda. E você chegou até aqui vendo essas fotos a toda hora, especificamente nas trocas de fraldas ou voltas do banho. Há muito você nota as fotos e olha para cada uma delas com interesse, por mais incrível que isso possa parecer para um bebê de oito meses e meio. Assim como aprendeu a bater palmas sem ninguém ensinar e já esboça um tchauzinho, você percebe que ali tem alguma coisa importante. No caso, uma pessoa importante, além de mim. E já relaciona essa importância com a palavra "papai". Não sei como vai ser quando você aprender a falar e esboçar um Papai ao ver a foto. Se vou rir ou se vou chorar compulsivamente. O que me preocupa mesmo é que você possa compreender quem ele é. Porque com o tempo tem até esse blog pra explicar, mas ainda vai demorar pra você aprender a ler e entender esses textos de adulto. E como o Natal está chegando, esses dias eu percebi que, enquanto as outras crianças acreditam em Papai Noel, talvez para você o mais importante seja ensinar a acreditar em pai. Acredite, filho. Ele era bem melhor que o Papai Noel. E mais bonito também.
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Menino do Rio.

Presente da Tia Jana, cuja casa no Rio vamos conhecer em breve. Não pude ir ao Rio com seu pai, filho, mas vou com você.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Vivo.
Sua avó escreveu uma cartinha pra mim e me entregou nesse fim de semana. Tinha tanto amor nessa cartinha, filho. E apesar de ter feito latejar a minha dor pela falta do seu pai, me trouxe uma alegria de perceber que a falta também traz presentes. Ela falou da dor dela pela falta do filho, mas terminou a carta declarando o amor dela por nós dois – você e eu. Amor plenamente correspondido. Olhando para essa amiga-mãe que conheço e gosto mais a cada dia, vejo o seu pai declarando amor por nós. Um amor que não morreu com ele, porque é mais forte que a vida.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
Vocabulário.
Afinidade, filho, é quando a gente tem muitas coisas parecidas com alguém. Pode ser uma coisa que a gente gosta de fazer, uma coisa na vida que emociona a gente, pode ser uma vontade, um sonho — ou muitos deles. Afinidade também é o que faz duas pessoas quererem dormir de conchinha, por exemplo. Ou o que deixa a sensação de estar levando a outra pessoa com a gente, aconteça o que acontecer. Como se ela fosse uma parte de você e você, uma parte dela. A capacidade de fazer o outro rir é outra deliciosa afinidade. Rir é o que faz a gente voltar a ser criança. Quando alguém sabe rir e fazer rir, a gente diz que essa pessoa tem humor. E quando uma pessoa tem humor ela sabe rir principalmente de si mesma – até nas situações mais difíceis. Difícil é aquilo que dá trabalho. Ficar sem seu pai, por exemplo, é muito difícil. Mas se a gente se esforçar, a gente consegue. Até porque não existe outra solução. Solução é o que resolve um problema. Um dia você vai ter o seu primeiro problema de verdade, vai encontrar a solução e vai aprender com isso. Ou vai descobrir que ele não tem solução — e vai aprender a se conformar. Problemas são importantes pra fazer a gente crescer. Eu queria que você aprendesse afinidade, humor, problema, solução, vendo o Papai e a Mamãe juntos. Mas nem por isso eu vou ensinar pra você a palavra frustração. Na hora certa, você vai descobrir. E vai saber o que fazer com ela. Papai e Mamãe não vão poder estar juntos porque no meio do caminho tinha uma palavra que a gente também tem que aprender: a surpresa. Que é o que acontece pra nos mostrar que a vida não pode ser controlada. Surpresas podem ser boas, como a sua vinda, ou ruins, como a ida do seu pai. Por causa desta última, eu e você vamos ter que aprender afinidade de um outro jeito. Vamos aprender juntos. Não sou só eu que vou ensinar significados pra você. Você também ainda vai me ensinar novos sentidos para muitas palavras, como está me ensinando um muito especial para a palavra amor. E tudo isso só aconteceu porque eu e seu pai tínhamos uma afinidade muito grande.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
Cheiro de saudade.
De: guifraga
Data: 4 de agosto de 2006 17h34min40s GMT-03:00
Para: Cristiana Guerra
Assunto: só pra dar um cheirinho
amorzinho. é só pra te dar um beijo bom. pra encostar em vc. pra colar meu rosto no seu, assim bem de levinho.
um beijo bom, gui
Data: 4 de agosto de 2006 17h34min40s GMT-03:00
Para: Cristiana Guerra
Assunto: só pra dar um cheirinho
amorzinho. é só pra te dar um beijo bom. pra encostar em vc. pra colar meu rosto no seu, assim bem de levinho.
um beijo bom, gui
sábado, 1 de dezembro de 2007
Pele.
Seu pai dizia que eu tinha "a pele mais macia do mundo".
Imagina, filho, se ele pudesse tocar você.
Imagina, filho, se ele pudesse tocar você.
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