sábado, 7 de agosto de 2010

Simples assim.



— O dia tá lindo, Mamãe, não dorme mais não!

Foi assim que eu acordei hoje. Na sala, havia um presente já aberto. Sem cerimônia, você o pegou e me entregou. Era o presente de dia dos Pais da escolinha.

– E esse desenho lindo, filho? Quem é?

– Você e o meu papai.

Meu lado criança achou divertido ganhar presente também no dia dos Pais. Comentei:

– Eu sou sua mãe e sou seu pai, né, filho? Por isso ganhei o presente.

– Não, você não é meu Papai. Meu Papai tá lááá no céu. Ele comeu muito sal e morreu, né?

É, filho. Parece que sim.

sábado, 31 de julho de 2010

Primeiro amor.


Conversando sobre casamentos.

– Eu também vou casar.

– Vai, filho? Com quem?

– Com cê.

E um sorriso aberto pra dar o clima.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Filho de peixa.



– Põe o salto, Mamãe.

– Não acha bonito com essa sapatilha, filho?

– Deixa eu ver. Não. Põe o salto, Mamãe. Salto é bonito.

sábado, 24 de julho de 2010

Moderninho.

– A minha namorada chama Duda. Só que ela é minha amiga.

E você tem apenas 3 anos, filho. Melhor eu me preparar.


segunda-feira, 12 de julho de 2010

Sonora alegria.

Você cantarola enquanto brinca e anda pela casa. Coloca cores e pronomes possessivos nas músicas. Nos passeios de carro você pede musiquinha. Agora começou a cantar junto. Presenteei você com um aparelhinho de som: já acordo ouvindo um dos seus CDs tocando. Não posso aumentar o volume, que você diz "Não abaixa alto, Mamãe." Nos passeios de carro você anuncia que vai rir quando passarmos no túnel. E cumpre o que promete, com risadinhas abertas. Andamos de mãos dadas enquanto você tece comentários e pede o meu aval sobre tudo o que está à sua volta. Nos momentos de calma você me acarinha com as mãos macias e olhar apaixonado – às vezes alisa meu colo, às vezes minha barriga. Sua alegria tem som. E a minha invade todos os meus sentidos.

sábado, 3 de julho de 2010

Sinceridade.

— Meu pai comeu muito sal e morreu, Vovô. Eu quero um pai sem morrido.

domingo, 6 de junho de 2010

Para o livro de memórias.

1.

Comprei pra você de presente uma ambulância.

— Onde você comprou essa ambulância, Mamãe? Na loja de ambulâncias plásticas?


2.

Passeando de carro pela cidade, você filosofa:
"Tantos carros. Tantos caminhões. Tantos ônibus. Tantas árvores. Tantas moças."

E no meio disso tudo, o meu sorriso secreto e solto, voando leve de tão encantado.