quarta-feira, 25 de julho de 2007

Urgente.

Preciso lhe dizer, Francisco:
- que quando você aprender o que é pai, vai ter que aprender também o que é morte;
- que a morte é a única certeza da vida, embora a gente passe a vida inteira fingindo que ela não existe;
- que às vezes a vida inteira pode durar apenas 38 anos;
- que o mais importante é ter vivido 38 anos muito bem vividos;
- que quando o teste de gravidez deu positivo, antes de parar pra pensar eu sorri;
- que depois de parar pra pensar eu continuei sorrindo;
- que eu continuo sorrindo até hoje;
- que você me faz querer brincar de novo;
- que você fez o seu pai voltar a fazer planos;
- que, de uma certa forma, o seu pai já pegou na sua mão;
- que eu não poderia ter escolhido alguém melhor com quem ter um filho - e ele me dizia a mesma coisa;
- que o seu pai nunca se esquecia de cobrir a minha orelha quando íamos dormir - e com certeza ele nunca se esqueceria de cobrir a sua;
- que eu tinha uma urgência de amar e viver e estar perto do seu pai que hoje faz muito sentido;
- que eu sempre tive um medo danado do seu pai morrer;
- que é horrível ver acontecer justamente aquilo de que a gente tem mais medo;
- que você salvou minha vida.

8 comentários:

Leo disse...

É horrível ver como é acontecer o que eu mais tenho medo que aconteça comigo com alguém que eu não conheço e provavelmente nunca vou conhecer, mas tudo isso, tudo o que eu li hoje fez uma dúvida aparecer pra mim;
-E se isso acontecer com ela, a garota que eu escolhi pra ter um filho?
Eu tenho dezessete anos e um problema no coração, o que a mim não gera preocupação, só quando eu tenho que jogar bola ou sou exposto à niveis altos de estresse, mas até aí tudo bem, mas, além de mim, a preocupação que isso dá a ela?
Eu não me preocupo comigo até certo ponto, me preocupo dela se preocupar comigo, mas, e se um dia essa preocupação estiver certa e acontecer algo comigo? Eu não qiueria vê-la sofrer como tu sofreu e ainda sofre, eu não queria saber que o meu vazio ocupa o dia dela, e isso é horrível, porque isso vai acontecer, eu com meus 38, com meus 58 ou com meus 18. Pra mim seria cômodo, mas para ela seria triste, o que tornaria triste pra mim também.
Ninguém nota os comentários antigos. Parabéns, meu bem, eu sei que o Francisco vai ter muito orgulho da mãe dele.

Leo disse...

Se acontecesse algo com ela eu não teria vontade de continuar. Nunca.
Quando se é jovem vive-se para sempre. Mas nem sempre é assim.

Patricia Lins disse...

Sempre escutei minha avó paterna dizer: "para morrer, basta estar vivo!" e eu acreditava que entendia que era natural...acreditava. As "perdas" que tive, por coincidência, destino ou afins, aconteceram em paralelo a grandes eventos de minha vida. Carreguei, desde criança (quando perdi meu avô materno, aos 11 anos e estava começando o Ginásio - para mim era o auge. Era "mocinha" - risos) a sensação de que não ia querer grandes realizações, para não precisar perder ninguém que amasse e fosse referência em minha vida. Cursei minha faculdade de Pub e Propaganda, e fui a primeira pessoa de minha família a ter nível superior. Isso foi um marco para todos. A "princesinha" (sou a filha, neta, sobrinha, irmã, prima... mais velha e filha dos filhos mais velhos.) da família veio para fazer a diferença e abrir as portas (para entender, venho de uma família branca por parte de mãe e negra por parte de pai. Tudo em minha vida é muito diferente, mas, para mim, é tudo muito natural). Mas, faltando 1 semana para esse grande evento (um marco) e 15 dias para meu aniversário, minha avó partiu (a que falava que para morrer bastava estar vivo). Eu entrei no quarto e vi seus olhos vazios. Engraçado, como nossos olhos são como janela para nosso mundo interno. Entrei numa tristeza profunda. Achei que ao superar, estava preparada para a morte. Quando engravidei, meu avô paterno, que era uma referência muito forte para mim, ficou muito feliz. Mas, faleceu 1 mês após meu filho nascer. Estava com DPP e piorou. Me culpei por sua morte, já que sabia que os grandes eventos de minha vida são marcados com a partida de alguém. Carreguei a sensação de que eu era a seifadora, sabe?! Parece pequeno, mas, esses 3 momentos, foram as grandes mudanças de minha vida. Aceitar que a vida carrega seus mistérios e que precisamos aprender com tudo que acontece conosco foi muito difícil. Ainda temo grandes acontecimentos e já não me programo para "grandes acontecimentos", nem marcos. Passei a viver cada dia, sem criar a expectativa no próximo. Apenas tentos fazê-los o melhor e mais vivo possível. Vivendo e aprendendo com cada situação. Dando valor a cada segundo com meu filho. Tudo é um exercício mesmo. Ler sobre o pai de Francisco, e sua partida súbita (aos nossos olhos) vi o quanto somos fugazes e realmente passageiros. 38, 50 ou 100 anos, sempre acharemos pouco e iremos desejar ter vivido mais! Sua história interferiu na minha. Passei a ver que não precisamos correr para viver tudo como se o mundo fosse acabar amanhã. Mas, tenho valorizado ainda mais as pessoas que amo. A gente nunca sabe quando e se conseguiremos dizer "adeus". Então, digamos "oi. te amo" sempre! Parabéns pela sua força. Na vida a gente sempre perde e ganha. o Importante é ver o que se ganha quando se perde. Uma vida de opções! Um beijo enorme!

Máh disse...

Você ja pensou que o Gui está justamente no Francisco? A sua história ganhou continuidade com amores diferente, mas mesmo assim AMORES

Julia disse...

De todos os seus posts, e creio ter lido a maioria, esse é um dos mais bonitos. ♥

Juliana disse...

que bom ler este post...também são meus medos, apreensões, expectativas, incertezas...e o amor sempre lá. ou melhor, aqui.

um beijo

Camila Mesquita disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Camila Mesquita disse...

Oi Cris, tudo bem? Vi três sentimentos seus nesse post que fui obrigada a comentar:
- que eu tinha uma urgência de amar e viver e estar perto do seu pai que hoje faz muito sentido;
- que eu sempre tive um medo danado do seu pai morrer;
- que é horrível ver acontecer justamente aquilo de que a gente tem mais medo;
Bom, vamos lá:
Final do ano passado, dia 23/12/11, eu perdi meu namorado, o Malcon, juntos há 8 anos.
Estávamos com planos de casar no ano que vem (2013). Eu já teria me formado na faculdade e daria tempo pra juntar uma graninha e juntar os trapos...
Lendo seu post, vi os seus sentimentos nos meus...
- Eu sempre largava tudo pra ficar com ele, pois eu também tinha uma urgência de amá-lo. É como se eu não pudesse perder um segundo. Meus pais reclamavam muito disso, que eu saia demais, que não parava em casa e agora eu digo: Ainda bem que sempre preferi sair com ele e aturar vocês brigando comigo depois, né, mãe? Né, pai? Eles... bom, eles concordam!
...Uma vez o Malcon me disse: “Mor, sabe por que digo tanto que te amo?”. Eu: “Não, por quê?”... “Porque se um dia eu morrer, você vai saber que parti, mas que te amei!” - Hoje eu penso que ele sabia muito bem o que falava e eu, por algum motivo, acreditei fielmente nisso só que de forma irracional. Sorte a minha de acreditar!
- Eu sempre vi muitas estrelas cadentes e pra todas elas eu pedia que o protegesse, para que não o deixasse partir deste mundo porque eu também sempre tive medo de perdê-lo. Desde então não confio mais nas estrelas (rsrsrs). De qualquer forma, não vi mais nenhuma estrela cadente.
- Foi horrível tudo isso. Tive de remontar minha vida que ainda estava sendo montada. Tive de aprender a andar sozinha e deixar todos os até então planos futuros para trás. Não haveria mais um futuro lar, nem um futuro casamento. Não tinha mais pra quem ligar quando eu precisava de um "oi, amor" ou não! Ou apenas para ouvi-lo mesmo.
Você tem seu filho e que figura! Acho muito legal isso e quando tudo isso aconteceu comigo eu disse que queria estar grávida para ter um pedacinho dele sempre comigo.
Mas eu ainda estava na faculdade e as coisas acontecem como tem que acontecer. No final das contas foi melhor assim. Como eu, com 22 anos, iria criar um bebê se nem formada eu estava ainda?
Aí deixei quietinho. O ano todo... Deixei acalmar devagarinho. Não toquei muito no assunto. E ainda está acalmando...
Mas estou bem, numa nova e boa fase da minha vida. Emprego novo, casa nova, cidade nova. =)
Como você disse num outro post: “o mundo ainda é belo, eu que não tinha olhado direito”...
Vivi toda a beleza de um namoro adolescente com direito a música feita pra mim, cartinha com coração e ursinho de pelúcia! Isso me deixa bem. Me deixa feliz! =)
....
Adorei você e seu filho!
Tudo de bom pra vocês!
Beijão!

Camila Mesquita