quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Notas.

Quando eu era menina, sonhava ser modelo. Depois entendi que talvez quisesse mesmo era ser atriz. Acabei não sendo nenhuma dessas coisas, mas na minha profissão às vezes eu tenho chance de exercer essas facetas. Com o tempo entendi que eu não tinha que esperar o mundo me aprovar: simplesmente ia lá e fazia. Foi assim que resolvi fazer aula de canto. Não tenho voz de cantora, mas tenho ouvidos bons. Acho que você também tem, filho. Todo dia você me dá provas de ter herdado isso. De mim e do seu pai. Ele, sim, tinha uma voz linda. Além de afinação e um gosto apurado para música. Se a nossa história virasse um filme, a trilha sonora já estaria escolhida. As músicas que enviávamos um para o outro fazem um conjunto delicado que poderia ser chamado de "Nossas cartas". O fato é que um dia, muito antes de conhecer seu pai, eu fiz aula de canto. E cantava direitinho, cheguei até a participar de shows na escola, do coral. É claro que eu ficava humilhada diante de vozes aveludadas e potentes que faziam aulas comigo. Sei que os professores nunca me olhavam como alguém que queria seguir carreira. Desconheciam esse meu jeito atirado de acreditar nas coisas. E o que seria dos meus queridos João Gilberto, Tom Jobim, Chico Buarque e outras finíssimas vozes femininas se não fosse a coragem dos próprios para cantar? Mas como os outros, esse meu sonho não foi longe. Junto com eles acabei guardando também o de ser mãe. Aos 35, cheguei a acreditar que não era para mim. Só se viesse feito mágica, de surpresa. E foi o que aconteceu. Você veio e fez dos últimos sete meses de vida do seu pai aqueles em que ele voltou a fazer planos, voltou a sonhar. Sua ida repentina foi apenas outra grande surpresa da vida. Os meses em que estivemos juntos, nós três, foram plenos. Como é pleno ser sua mãe. E hoje, eu o descubro meu fã. Percebo que minha voz parece encantar seus ouvidos. Eu canto e você canta comigo. Eu nunca ousaria sonhar isso, filho. Justo esse que era o sonho mais bonito.

12 comentários:

Marina disse...

Cheguei hoje no blog!
Depois de lê-lo todo, enxugo as lágrimas e fico aqui na esperança e no desejo sincero de que sejam muito felizes, que sorriam todo dia e que amem muito e sejam amados!

Já fui lá abraçar meu amor! Abracei, disse que amo!
Faço isso todo dia, muitas vezes por dia, mas de repente ficou a sensação que nunca é demais!

beijo grande!

Até,

Marina

N. Real disse...

Que lindo, Cris!

Bem que o Cisco podia virar cantor, ficar famoso e namorar a Suri, né?

Ela sempre foi a minha filha de celebridade favorita... mas agora que você está ficando cada vez mais famosa... o Cisco entrou no páreo... estão super empatados!

Beeeijos!!!

Pequena disse...

Rs. O Cisco e a Suri seria mesmo uma boa. Rs. Talvez dela eu não tenha ciúmes, rs.

Marina, seja bem-vinda. Quem é você, como chegou aqui?


Beijo.

Ana disse...

Prefiro o Cisco com a Shiloh, filha do casal Brangelina. Ele teria sogros com propósitos muito mais nobres na vida.

Anônimo disse...

que lindo o que vc escreve, lindo poder sentir tanta emoção. parece que existe até uma beleza na dor. eu acho que existe mesmo, sempre digo. esta é a beleza da vida! abraços

Marcelle disse...

Oi Cris...(enxugando as lágrimas)
Acho que posso te chamar de Cris, né...
Cheguei aqui pelo seu outro blog, hoje vou assim, e tava leve e desprevenida para tanta emoção. Tô aqui no trabalho segurando o choro.
Não só de tristeza, mas misturado com uma ternura e uma alegria imensa que sei que uma mãe sente ao criar o seu filhinho.
É lindo o seu blog. Corajoso.
Quero lê-lo inteirinho em casa para chorar tudo que tô segurando!
Seus relatos são lindos e merecem um livro!
Sabe que eu sempre quis cantar mas diferente de vocÊ nunca tive coragem para um aula. Quando meu filho nasceu comecei a cantar para ele, que adorava. Hoje solto a voz!

Que sorte que você foi muito amada, tem gente que nem experimenta isso na vida!

Muito amor para você e seu filhinho.

Beijos
Marcelle

Pequena disse...

: )

Marina, Marcelle,
bem-vindas.

Sorte mesmo ter sido muito amada. Sorte mesmo ter amado tanto.
Eu tenho que me lembrar disso todo dia.

um beijo pra vcs e pra ana, Natália e anônimo. Que eu aposto que é anônima!

Simone disse...

Oi Cris, como alguns estou chegando hj...Gostaria de parabenizá-la pela maneira delicada que relata tantos momentos e lembranças. A partir de hj estarei acompanhando os 2 blogs, vai querer saber como cheguei aqui, né?! Através do blog Salada Mista, muito bacana tb, fica a dica para quem não o conhece dar uma passadinha por lá! Um abraço grande!

[P] disse...

Então... vi aqui nos comentários que te chamam de "Cris"... li seu blog quase todo e neste exato momento me sinto obrigada a escrever aqui que seus textos são comoventes, que me acabei de chorar, que sei como é a dor da perda e tantos outros "ques" que, na verdade, não são mais importantes do que este: espero que você e seu filhinho lindo sejam muito felizes, com certeza o pai do Francisco está orgulhoso de vocês.

Beijos.

helga disse...

Acabei de descobrir seu blog, ou melhor, o do Francisco. Já tinha me acostumado a te ver todo dia, olhava seu rosto, a "pose" e a roupa. Ontem descobri porque sempre me emocionva, você é como eu imagino que minha mae seria se tivesse a sua idade hj, meu pais moram em outra cidade e eu sinto saudade deles todo dia. Ontem quando vi o vestido azul e verde liguei pra minha mãe e falei "mamae, achei uma mulher que é igual vc seria se fosse mais nova hj". Não estou conseguindo me expressar, né? Mas até 10 minutos eu só sabia que vc era a pequena, publicitária. ficava meio divagando sobre as fotos sem saber pq estava tão encantada. Agora descobri seu nome e um pouco de vc. Não consegui ler muito, comecei a chorar. Nem sei o que mais escrever...não consigo parar de chorar.

Carlamalignah disse...

que coisa linda esse blog.... tb nem sei bem o que dizer, fiquei um pouco com vergonha de comentar pq me sinto invandindo sua intimidade... talvez deixe nisso, que achei singelo e com a voz embargada. estou acostumada a te ver no outro blog, mas esse aqui diz muito mais...

Pequena disse...

Helga, fiquei muito emocionada com tudo o que você contou. Muito mesmo. Fique por perto, querida.

Carla, que delícia você conhecer meu outro lado.

P e Simone, bem-vindas.

Gente, obrigada por tudo. É muito bom poder expressar e ver que tem gente que é tocada pelo que eu escrevo.