segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Eu, você e Freud.

Você já tem quase seis meses e eu ainda não consigo acreditar que era você dentro de mim nesses nove meses de gravidez. Hoje você mamou quase o tempo todo segurando a mamadeira. Outro dia pegou meu rosto com as duas mãozinhas, olhou muito pra mim e me lambeu com gosto. Agora faz isso algumas vezes por dia – e eu adoro. Você é saudável, parece um bebê feliz e me olha muitas vezes como se brincasse comigo. Acho que tem humor, o que já era de se esperar, a contar pelos pais que tem. Você veio num momento em que eu não mais pensava em ter filhos, tinha chegado à conclusão de que isso não era pra mim. Adorei estar grávida. Curti cada minuto desses nove meses, mesmo depois que perdi seu pai. Adoro saber que você é filho do Gui. Não sei se eu seria a mãe que sou hoje com seu pai ao meu lado. Talvez eu fosse pior em algumas coisas, melhor em outras, mas com certeza a perda do seu pai me amadureceu ainda mais, me voltou a atenção para algumas coisas essenciais que talvez eu não tivesse visto sendo mãe em um casal. Também não seria quem sou hoje se tivesse meus pais comigo. Por outro lado, tenho muito medo de errar em muitas coisas, mas sei que toda mãe erra, de um jeito ou de outro. Se eu perder a moral com você, não tenho a quem recorrer. Perco e pronto. Isso em amedronta um bocado. Mas não sou e nem quero ser a Mulher-maravilha. Acho uma delícia passar o fim de semana com você, mas, invariavelmente, me sinto sozinha e desprotegida. Não daria conta do dia-a-dia sem uma boa babá, como foi a Célia e como é a Cris. E nem sem uma pessoa para me ajudar na casa, como a Odete. Uma das formas de ser uma boa mãe pra você é tê-las ao meu lado, sem a menor dúvida, e eu o faria também com seu pai aqui. Hoje penso que meu formato de vida com seu pai era perfeito e continuaria perfeito depois de você. Eu sempre achei que não seria o ideal a gente morar juntos, embora achasse romântica a proposta dele. Estar sob o mesmo teto o tempo todo não é absolutamente necessário para provar que duas pessoas se gostam. Acho que você será meu único filho. Eu quis muito que o seu pai fosse o último homem na minha vida, queria ficar com ele pra sempre. A gente brincava de ficar velhinhos juntos e tenho certeza de que seria uma boa idéia, pois o nosso papo era delicioso. Sinceramente não encontrei ainda alguém com quem eu tenha tamanha afinidade, mas acredito muito que isso vá acontecer. Não tive tempo de procurar e sei que na vida não é assim que a gente acha alguém. Eu me acho boa companhia e não quero ser uma mãe grudada em você. Quero muito ser sua amiga. E vou adorar quando você tiver idade pra vir dormir na minha cama de vez em quando. Aproveito que a nossa família é peculiar pra poder desrespeitar algumas leis. Nas últimas três noites você dormiu muito bem e foi uma delícia. Foi feriado e tínhamos passado três dias inteiros juntos. Acho que a gente está ficando mais à vontade um com o outro. Bom, por hoje é só. Daqui a pouco vou ter vontade de lhe dizer mais coisas. Filho querido.

8 comentários:

Pati disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pati disse...

Pati disse...
Tenho lido o blog sempre.
Tenho chorado , me emocionado , me divertido...
Quanta admiração por você , Cris!
bejo
Pati

Pequena disse...

Que alegria, Pati. Continue lendo, fico muito feliz e honrada.

Um beijo.

Letícia disse...

Sua idéia de fazer esse blog para o Francisco foi, e continua sendo, maravilhosa...(tah, tds devem dizer o msm, mas é pq tem q ser dito).
O cisco tem muita sorte de ter vc não só como mãe, mas como amiga.
Fica na paz.
bj..=*

Marlla Farias disse...

Você conhece o blognosduas.blogspot.com?

Um beijo! Adorei tudo aqui.

MoMô disse...

é, Cris, a gente quer ser perfeita, quer fazer o melhor, tem medo de errar, tem medo de deixar nosso pequeno sofrer, quer pegar a dor dele e transferir pra gente de tão ruim que é a sensação de impotência diante de uma situação que nos foge ao controle... ser mãe não é fácil... mas é divino! Tenho certeza que a vida ainda vai te reservar surpresas maravilhosas! Já começou com teu filhote...Beijos!

Tuzi disse...

Fiquei sabendo do seu blog por um amigo, e voltei aqui ao primeiro post. Hoje, alguns anos depois, tenho certeza que és muito mais grande e forte. As dores não passam mesmo, só melhoram. Mas a julgar pelos seus últmos posts, dá pra ver o seu tamanho daqui. Uma gigante dos sentimentos. Vou tentar acompanhar o blog até o último post, vale a pena, sei que só as dores reais proporcionam as mais belas artes. Um beijo, se é que vai ver este comentário.

Rafaelle Almeida disse...

Eu descobri o seu blog bem por acaso! Desses acasos que aparecem e parecem na verdade terem vindo com algum intuito! Vc pra mim, Cris, é alguém que eu com certeza teria muita felicidade de encontrar na vida! E encontrei, de uma forma ou de outra! Comecei a ler seu blog a um tempo atrás, no final do ano passado e fiquei adimirada (como todo mundo) do quanto sua alma é linda! Eu desejo pra vc e pro Francisco o que você mesma faz transparecer todos os dias: muito amor!

Um beijo enorme e bem apertado, nos dois!
:*