quarta-feira, 5 de março de 2008

Amor amigo.



Poderia ter sido em um bar, na fila do banco, pela internet. Ele poderia ser amigo de um amigo meu. Mas eu e seu pai nos conhecemos no trabalho.

Eu me lembro, foi no dia 17 de fevereiro de 2003 que eu voltei a trabalhar na Lápis depois de uns meses em outra agência. Meu primeiro trabalho foi com um diretor de arte free lancer chamado Guilherme. Que em princípio me pareceu bastante antipático. Enquanto nos reunimos pra começar a criar, ele falou ao celular algumas vezes e pude perceber que morava em um condomínio afastado, era casado e tinha cães. Eu também era casada e meu marido, além de veterinário, também tinha cães. Muitos deles, por sinal. Era criador. Poderíamos ter descoberto muitas coisas em comum. Mas saí de lá com a impressão de que ele não queria proximidade. Aquele sotaque paulista não me consquistou.

O fato é que em alguns meses ele foi contratado. E o que vi no dia-a-dia foi um homem delicado. Amoroso. Com homens e mulheres. O carinho mais charmoso e sedutor que eu já conheci. Seu bom dia era sempre um abraço muito apertado. E eu adorava ser abraçada por ele. Não pensava nisso. Mas adorava.

Com o tempo, nos tornamos amigos. Eu adorava ser amiga dele. Não pensava nisso. Mas adorava.

Nossos abraços ficavam a cada dia mais apertados. Eu não reparava nisso. Mas adorava.

Mais algum tempo e comecei a ter sonhos com ele. Não eram sonhos eróticos. Eu sonhava com os abraços – tinha uns beijos também. Nunca parei pra pensar nisso. Mas adorava.

Começamos a nos aproximar mais. Na cerveja depois do trabalho. No papo sobre nossos casamentos. Eu não pensava nisso. Mas adorava.

Com o tempo, caminhávamos para nossas separações: eu do meu marido, ele da mulher. Eu não pensava nisso. Mas adorava.

Até que veio um verão, uma pista de dança, nós dois rodeados de pessoas para só termos olhos um para o outro. Ele me disse coisas nas quais eu nunca tinha pensado. E eu adorei.

“É tudo verdade”, ele me escreveu num email no dia seguinte. O primeiro de uma série de conversas pelo computador. Um sentado em frente ao outro, separados (ou unidos?) apenas pelas máquinas.

Tudo isso fez uma revolução em mim. Já éramos tão amigos. Já estávamos juntos e não tínhamos percebido.

(Apaixonar-se por um amigo é arrebatador. Você olha para o lado e o vê com olhos diferentes. Descobre o que seu coração já sabia há muito tempo.)

Impossível conter a minha sensação de estar voltando para casa. A minha urgência de simplesmente deitar na cama e pegar no sono. Eu não precisava procurar mais nada, eu já tinha encontrado.

Mas sou rápida demais para enxergar as coisas. Ele ainda precisou de algum tempo pra ver os fatos de um jeito parecido. E quando viu, adorou.

26 comentários:

Flor de Bela Alma disse...

Querida, eu acho que fui a primeira a ler....e nossa!! Ufa!! Esse olhar de paixão pelo que sempre esteve ali acontece vez em quando comigo!! O amor antigo muitas vezes surpreende!!Seu amor continua lindo...beijo!

Anônimo disse...

Cris, não dá mais para ficar ser ler, você nos arrebata com tanta delicadeza,sentimento puro.
Deus abençoe a guardiã do anjinho Francisco.

janasousa5 disse...

oi Cris...confesso, chorei, por palavras tão lindas e por descobertas perfeitas...mas chorei principalmente por passar por isso e o tempo de reação do amigo não ter chegado ainda, acho q já desisti...muita sorte pra vcs.

dri disse...

Cris, lindo texto.
Adorei.

Ale Carvalho - Lain disse...

;) q bom ler isto hoje! bjs

Maria dos Açores® disse...

Cris, um amor assim... nossa, que coisa gostosa... faz-me lembrar de um excerto de Khalil Gibran:
"Quando o amor vos fizer sinal, segui-o, ainda que os seus caminhos sejam duros e difíceis.
E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos, ainda que a espada escondida na sua plumagem vos possa ferir. E quando vos falar, acreditai nele, apesar de a sua voz poder quebrar os vossos sonhos como o vento norte ao sacudir os jardins."
Um beijo com muito amor para ti e para o Cisco

Renata Rocha disse...

Nao sei o que dizer...
Puro, acho que essa palavra expressa esse amor.
Muito lindo.
Um beijo querida

Anônimo disse...

Lindo Lindo LIndo!!!! Quanta saudade hein, Cris!!!
BJinhos pra vc e pro fofinho do cisco!!!
Dani

Weder_e_Sâmia disse...

Olá Cris, faz pouco tempo que comecei a passar aqui todos os dias para ler suas belas palavras, tão bem escritas....
vc tem um amor muito lindo, o que é raro hoje em dia, nesse mundo tão poluido e tão vulgar...
um abraço,
Sâmia.

sylnier disse...

Nossa... até chorei de emoção...
Sabe, comigo e meu esposo aconteceu o mesmo e eu nunca soube explicar essa loucura de descobrir-se amando como num estalo...
Vc conseguiu descrever em palavras tudo.... nossa... amei o seu texto, muito obrigada por descrever o seu e o meu amor, rsrsrs
Beijos...
Syl

Kika disse...

Cris,

Você matou uma grande curiosidade minha...

Aliás, aos poucos, vou vendo que minhas curiosidades vão sendo "matadas" e outras vão nascendo... Como o ciclo da vida...

Eu tinha uma curiosidade sobre a tatuagem e outro dia você esclareceu. DELICADEZA.

Esse sobre o apaixonar-se pelo amigo, cheia de issos e nissos, foi arrebatador.

Eu me apaixonei pela gargalhada do meu paulistão.

E se eu o tivesse conhecido antes, pessoalmente, acho que minha estória não seria a mesma.

Como todo carinho aos paulistas, há um quê de nem sempre simpatia à primeira vista.
A segunda vista é fundamental.

Ao contrário de você, conheci o F pelo computador, namoramos por máquinas, ele me viu no orkut e insistiu.

A persistência dele fez com que nossas vidas nunca mais fossem as mesmas.

Sei bem o que é voltar para casa. É voltar para o peito dele e sossegar.

beijos, querida, K

Cristiana disse...

Que lindo, Cris. O bom de se apaixonar pelo melhor amigo é que ele chega sem mistérios superficiais. O óbvio, a gente já conhece. O mais interessante vem depois, com a intimidade que cresce. Beijos, Cris.

Anônimo disse...

Lindo Demais...
Beijo,
Adriana.

Mari disse...

Um amor desses devia acontecer na vida de todo mundo!
Todo mundo!

Sempre linda vc!

Pequena disse...

É isso mesmo, Cristiana. Você não se decepciona. As paixões que começam quando você conhece a pessoa são muito perigosas. Apaixonar-se por um amigo é já conhecer e amar sua essência. A novidade fica por conta da paixão, ela é o ganho, a surpresa. É avassalador. Algum outro grande amigo me conquistar aí, por favor? rs.

Um beijo em cada um.

Kiki disse...

Olá Cris. Assim como todo mundo...depois que li a primeira vez seus textos fiquei tão impressionada, não só com a história, mas pela forma que vc escreve...tão lindo, vc usa com sabedoria cd palavra.
Filhos: são um grande ensinamento, através deles nós reaprendemos, nos renovamos e nós mães nunca mais seremos as mesmas. Hoje tenho duas meninas e Carol e a Dani....com 6 e 1,5 anos e com certeza elas me mantêm viva, mesmo nas dificuldades. Grande abraço pra vc e o Francisco...ele é perfeito!

ale disse...

Ai, coisa bem boa tudo isso, todas essas sensações! Passei por algo parecido (me apaixonei por um amigo), pena que não fui correspondida. Bacana isso.
Bj

Anônimo disse...

M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O!
Que bom que você existe para nos enriquecer com palavras tão sensíveis e sinceras...
Aprendo com você a cada dia, a arte de amar!
Beijo no coração,
de uma desconhecida que já se sente conhecida...
Carol

Bel disse...

Um suspiro ...
Tão lindo o encontro!
Mais um suspiro ... meu!
Um beijo,
Bel

Gabriela (RJ) disse...

cristiana, como muitas pessoas eu tammbém cheguei aqui através de um blog conhecido. e demorei a te escrever, apesar de querer desde a primeira vez que te li, talvez pela inibição diante de uma história tão forte, tão poderosa. o que escrever para alguém como você? e o que eu mais gosto na sua história é, que apesar de todos os momentos difíceis que passou, você me parece ser uma pessoa plenamente feliz. que viveu as coisas boas com tanto prazer que acatou as ruins como algo que faz parte da sua história, e que sempre te fortaleceram. não te conheço pessoalmente e talvez nunca conheça, mas já te admiro muito. e foi com estranhamento que percebi que pensei em você na segunda página de um livro maravilhoso chamado 'carta a d. - história de um amor', lançado agora pela cosacnaify. você conhece? enfim, continue feliz. um beijo grande, gabriela

nina disse...

Que comecinho bonito vcs tiveram Cris, um confiando no outro, se gostando de verdade, se conhecendo devagarinho. Eu acho super esse seu modo de escrever sobre o Gui, porque é sempre tão macio, tão delicadinho, nunca é algo forte demais, nunca é pesado. Ao contrário, é leve, suave. Bonito.

Aliás, bonito tbm como as palavras que ando percebendo vindas da Kika, que sempre comenta aqui. Quando ela "leu" a foto de vcs na varanda, achei interessante a maneira de ver as coisas. Vocês são duas bonitinhas.

Anônimo disse...

Cris...chorei...como é linda a história de vcs....iluminada, abençoada!!!! Toda a felicidade do mundo para vcs!!!! Vc, Cisco e Guio...sei que ele está sempre com vcs!!!! Beijos.
Fabiane

Rebs disse...

Como sou uma romântica incurável (quem quer se curar disso? todo romântico é incurável...), vivo perguntando pros casais que conheço como eles se conheceram, como foi o primeiro olhar, o primeiro gesto, o primeiro tudo... E adorei conhecer um pouquinho mais da sua história.

Que é incuravelmente linda. Assim como você.

Bjos!

:: carol monti :: disse...

histórias assim inspiram a gente a viver .... =] ... de verdade!

bjocas

Elaine disse...

Olá Cris.... conheci sua historia na revista gloss e imediatamente virei uma leitoa diaria do seu blog... confesso que já chorei muito por vc.... e ja sorri muito por vc....ja doeu muito meu coração so de pensar em como sua vida foi dificil e ao mesmo tempo tão brilhante...As vezes chego a conclusão que não suportaria nem metade de tudo que ja passou..., mais por vezes também a considero a mais sortuda dos seres por ter tido um amor tão lindo, tão delicado como vc mesmo diz e com uma leveza invejavel consegue nos transmitir tudo isto... se a visse um dia pessoalmente te daria um abraço bem apertado e te diria nos olhos o qto me fez se mais forte...
Nem a tristeza, nem a desilusão,
Nem a incerteza, nem a solidão,
NADA ME IMPEDIRÁ DE SORRIR.
Nem o medo, nem a depressão,
Por mais que sofra meu coração,
NADA ME IMPEDIRÁ DE SONHAR.
Nem o desespero, nem a descrença,
Muito menos o ódio ou alguma ofensa,
NADA ME IMPEDIRÁ DE VIVER.
Em meio as trevas, entre os espinhos,
Nas tempestades e nos descaminhos,
NADA ME IMPEDIRÁ DE CRER EM DEUS.
Mesmo errando e aprendendo,
Tudo me será favorável,
Para que eu possa sempre evoluir
Preservar, servir, cantar,
Agradecer, perdoar, recomeçar...
QUERO VIVER O DIA DE HOJE
COMO SE FOSSE O PRIMEIRO,
COMO SE FOSSE O ÚLTIMO,
COMO SE FOSSE O ÚNICO.
Quero viver o momento de agora
Como se ainda fosse cedo,
Como se nunca fosse tarde.
Quero manter o otimismo,
Conservar o equilíbrio,
Fortalecer a minha esperança,
Recompor minhas energias,
Para prosperar na minha missão
E viver alegre todos os dias.
Quero caminhar na certeza de chegar,
Quero lutar na certeza de vencer,
Quero buscar na certeza de alcançar,
Quero saber esperar
Para poder realizar os ideais do meu ser.
ENFIM,
Quero dar o máximo de mim,
para viver intensamente e maravilhosamente
TODOS OS DIAS DA MINHA VIDA.
Te desejo o melhor...
Beijos
Elaine Cristina Filadelfo

Marcela disse...

Ola, ah dois dias eu venho lendo o seu blog e me emocionando cada dia mais, e as suas palvras me dão esperança de vida, e as suas histórias vezes tão parecidas com as minhas, como essa que você diz como o conheceu, assim foi tbm como eu conheci o amor da minha vida, que hoje esta ao meu lado graças a Deus. Graças a você, hoje eu olho para ele, para nós dois de uma maneira diferente.
E acreditte, eu desejo que Deus continue na sua vida e do seu filho lindo.